CBF cria programa de profissionalização da arbitragem

CBF cria programa de profissionalização da arbitragem

A arbitragem brasileira iniciará, a partir da temporada de 2026, um novo modelo de atuação com a implantação do Programa de Profissionalização da Arbitragem. A iniciativa da Confederação Brasileira de Futebol marca a transformação da função em atividade profissional estruturada, com contratos, avaliações contínuas e investimento financeiro permanente. O programa entra oficialmente em vigor em 1º de março e é considerado um marco após anos de discussões sobre a necessidade de modernização do setor.

A primeira etapa do projeto contará com 72 árbitros e assistentes selecionados a partir de critérios técnicos e desempenho recente. O Distrito Federal terá representantes no grupo inaugural, com a presença de um árbitro central e uma árbitra assistente do quadro internacional. Os profissionais convidados poderão optar por não aderir ao programa. Para viabilizar o novo modelo, a CBF prevê investimento aproximado de R$ 195 milhões ao longo das temporadas de 2026 e 2027, abrangendo remuneração, capacitação, estrutura tecnológica e suporte médico.

A proposta prevê que todas as partidas da Série A do Campeonato Brasileiro sejam conduzidas por integrantes do programa, embora os árbitros possam atuar em outras competições. Já nas rodadas iniciais da elite nacional, apenas profissionais vinculados ao novo sistema estarão escalados. O objetivo é elevar o nível técnico e garantir maior padronização nas decisões, alinhando o futebol brasileiro às práticas adotadas em ligas internacionais.

A formação do grupo obedeceu a critérios objetivos, como vínculo com os quadros nacionais ou internacionais de arbitragem, número de atuações na Série A nas últimas duas temporadas e desempenho nas avaliações oficiais. A composição inclui árbitros centrais, assistentes e árbitros de vídeo, com ampla presença de profissionais do quadro Fifa.

Os contratos serão firmados no modelo de pessoa jurídica, com duração inicial de um ano. O formato contempla pagamento mensal fixo, valores variáveis por partida e bonificações associadas ao desempenho. A participação no programa não garante permanência automática. Ao fim de cada temporada, os profissionais passarão por avaliação e poderão ser substituídos, garantindo renovação constante do quadro.

O acompanhamento técnico será contínuo e detalhado. Observadores e integrantes da comissão técnica da CBF avaliarão aspectos como aplicação das regras, controle disciplinar, preparo físico e comunicação em campo. As notas formarão um ranking atualizado a cada rodada, que servirá de base para designações e progressão dentro do programa. A rotina também incluirá planos individualizados de treinamento, uso de tecnologia de monitoramento e suporte completo à saúde.

A capacitação será um dos pilares do novo modelo. Estão previstas atividades mensais de formação, com análises de lances, treinamentos práticos, simulações de jogo e avaliações teóricas. O foco será a padronização de critérios e a melhoria da tomada de decisão, com acompanhamento individualizado ao longo da temporada.

Com a implantação do programa, a CBF busca promover uma mudança estrutural na arbitragem nacional, estabelecendo padrões mais elevados de profissionalismo, transparência e desempenho, em sintonia com a evolução do futebol moderno.

Adriana Nogueira

Adriana Nogueira

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