Insulina glargina será distribuída em projeto-piloto
O Ministério da Saúde inicia entre fevereiro e março um projeto-piloto em quatro unidades da federação — Amapá, Paraíba, Paraná e Distrito Federal — para substituir a insulina NPH, de ação intermediária, pela insulina glargina, de efeito prolongado. A expectativa é expandir o programa para todos os estados ainda em 2026.
Nesta primeira fase, o público-alvo são crianças e adolescentes com até 17 anos com diabetes tipo 1 e idosos com 80 anos ou mais com diabetes tipo 1 ou 2, atingindo cerca de 50 mil pessoas. A ampliação para mais pacientes, incluindo aqueles com diabetes tipo 2, poderá ocorrer ao longo do ano, conforme a evolução do programa e a capacidade de produção.
Equipes de saúde receberão treinamento sobre prescrição, aplicação e acompanhamento dos pacientes, incluindo orientação sobre o uso das canetas de insulina, consultas regulares e visitas domiciliares. A principal diferença entre as insulinas NPH e glargina está no perfil de ação: enquanto a NPH exige duas ou três aplicações diárias, a glargina tem duração próxima de 24 horas, sendo administrada normalmente uma vez ao dia, o que reduz o risco de hipoglicemia e melhora a adesão ao tratamento.
A mudança também tende a gerar economia para o SUS, devido à menor necessidade de agulhas e à redução de episódios de hipoglicemia que demandam atendimento de urgência.
A insulina glargina foi incorporada ao SUS em 2019, mas sua distribuição começou apenas agora, sete anos após aprovação pela Conitec e um ano após o cronograma inicial do Ministério da Saúde. A produção nacional, retomada após duas décadas de dependência do mercado externo, será realizada pelos laboratórios públicos Funed, em Minas Gerais, e Bio-Manguinhos, no Ceará, em parceria com empresas da Índia e China. O objetivo é garantir abastecimento seguro e reduzir impactos de crises internacionais, já que parte da produção global foi redirecionada para medicamentos de emagrecimento.
Em 2026, a previsão é produzir 36 milhões de tubetes de insulina glargina, contra cerca de 6 milhões recebidos em 2025. Até a completa nacionalização, parte da produção continuará na China durante a transferência de tecnologia.
O projeto-piloto também avaliará questões logísticas, como a distribuição do medicamento, treinamento de profissionais de saúde e orientação aos pacientes, considerando que a disponibilidade de canetas reutilizáveis ainda é limitada. Especialistas apontam que, embora falhas pontuais de abastecimento tenham ocorrido nos últimos anos, atualmente não há relatos de desabastecimento generalizado no SUS.
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