Socialista moderado vence eleição portuguesa
António José Seguro, político de perfil socialista moderado, foi eleito presidente de Portugal no domingo (8) derrotando o candidato de extrema direita André Ventura. Com 99,2% das urnas apuradas, Seguro obteve 66,8% dos votos, enquanto Ventura ficou com 33,2%.
Seguro assumirá o cargo no início de março, sucedendo Marcelo Rebelo de Sousa, conservador que governou o país nos últimos dez anos. Embora a função seja principalmente simbólica, o presidente tem poderes estratégicos, como a dissolução do Parlamento e a convocação de eleições legislativas antecipadas em situações de crise.
O candidato socialista destacou que pretende ser o presidente de todos os portugueses, reforçando seu compromisso com a democracia. Seguro entrou no segundo turno como favorito, após vencer o primeiro turno com 31,1% dos votos, em 18 de janeiro.
Apesar da derrota, André Ventura consolidou a presença de seu partido, Chega, como a segunda força política do país. O candidato de extrema direita criticou a gestão da crise causada pelas fortes tempestades que atingiram Portugal, provocando pelo menos sete mortes, prejuízos estimados em 4 bilhões de euros e adiamentos na votação de 20 distritos.
Seguro tem longa experiência política, mas passou a última década afastado da vida pública após perder a liderança do Partido Socialista em 2014. Ele mantém uma visão de “esquerda moderna e moderada” e, mesmo sem apoio inicial da direção do partido, conseguiu unir apoio de figuras políticas de diferentes espectros ideológicos durante a campanha.
Durante a eleição, Seguro ressaltou a importância da participação dos eleitores e indicou que a abstenção seria seu principal desafio. Por sua vez, Ventura defendeu uma ruptura com a política tradicional portuguesa, afirmando que enfrentou uma campanha “todos contra um”.
A vitória de Seguro foi celebrada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, como um triunfo dos valores europeus compartilhados.
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