Vacina segura é estudada para prevenção do Alzheimer

Vacina segura é estudada para prevenção do Alzheimer

Um estudo liderado pela Universidade de Exeter sugere que a vacina contra herpes-zóster, usada há anos para prevenir a doença, pode ter potencial para ajudar na prevenção do Alzheimer. A pesquisa, publicada em novembro de 2025 na revista Alzheimer’s Research & Therapy, analisou 80 medicamentos já aprovados para outras condições, com o objetivo de identificar quais poderiam ser reaproveitados para o tratamento ou prevenção da doença neurodegenerativa.

Participaram 21 especialistas internacionais em demência, que utilizaram o método consenso Delphi, discutindo evidências científicas até chegar a decisões conjuntas. Três medicamentos foram apontados como prioritários para novos estudos: a vacina contra herpes-zóster (Zostavax), o sildenafil (Viagra) e o riluzole, utilizado na doença do neurônio motor. Entre eles, a vacina se destacou como uma das opções mais promissoras para testes clínicos futuros.

Atualmente, o imunizante é aplicado principalmente em adultos mais velhos para prevenir a reativação do vírus da catapora, que causa lesões dolorosas na pele. A pesquisa destacou que a vacina tem um perfil de segurança conhecido, pode influenciar o sistema imunológico e há evidências observacionais de que pessoas vacinadas apresentariam menor risco de desenvolver demência.

Os autores ressaltam, no entanto, que os resultados não significam que a vacina previna Alzheimer. O estudo indica apenas quais medicamentos devem ser priorizados em ensaios clínicos. O próximo passo envolve pesquisas controladas com pacientes para verificar se existe efeito protetor e compreender os mecanismos envolvidos.

A doença de Alzheimer, a forma mais comum de demência em idosos, afeta a memória e outras funções cognitivas, e ainda não tem cura. Segundo o Ministério da Saúde, responde por mais da metade dos casos registrados no Brasil. Estratégias como o reposicionamento de fármacos, que utiliza medicamentos já existentes, podem acelerar o desenvolvimento de tratamentos mais acessíveis e eficazes. A vacina contra herpes-zóster, por enquanto, continua indicada apenas para prevenção da própria doença.

Adriana Nogueira

Adriana Nogueira

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