Consumo das famílias de São Luís apresenta estabilidade em fevereiro
A Pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) apontou que o indicador chegou a 84,2 pontos em São Luís em fevereiro de 2026, registrando alta de 1,3% em relação a janeiro, segundo levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Maranhão (Fecomércio-MA) em parceria com a Confederação Nacional do Comércio (CNC).
Apesar do avanço no mês, o índice permanece abaixo da linha de satisfação, estabelecida em 100 pontos, indicando que a confiança do consumidor ainda está em um cenário de estabilidade e cautela.
Na prática, o resultado mostra que o consumo das famílias apresentou leve melhora no início do ano, mas ainda sem força suficiente para indicar uma retomada consistente. O indicador também reflete a desaceleração observada ao longo do segundo semestre de 2025, quando a confiança passou a perder ritmo após atingir 90,9 pontos em abril, o melhor resultado desde o período pós-pandemia.
Desde então, o índice apresentou um movimento gradual de acomodação, encerrando 2025 em 84,8 pontos e iniciando 2026 praticamente no mesmo patamar.
Segundo o presidente da Fecomércio-MA, Maurício Feijó, o resultado exige atenção do setor produtivo.
“Os dados mostram sinais positivos nas expectativas para os próximos meses, principalmente em relação ao mercado de trabalho, mas o orçamento das famílias continua pressionado pelo custo do crédito e pela recuperação mais lenta da renda. Isso faz com que as decisões de consumo sejam tomadas com mais prudência”, avaliou.
Diferença entre faixas de renda
A pesquisa também revelou diferença significativa entre as faixas de renda.
Entre as famílias que recebem mais de 10 salários mínimos, o índice chegou a 109,4 pontos, dentro da zona de satisfação. Já entre aquelas com renda de até 10 salários mínimos, que representam a maior parte da população, o indicador ficou em 82,3 pontos.
O resultado mostra que a confiança no consumo é maior entre as famílias de renda mais alta, enquanto os demais grupos ainda enfrentam limitações no orçamento.
Expectativas para o futuro sustentam índice
As expectativas para os próximos meses são o principal fator que sustenta o indicador.
A perspectiva profissional, que mede a confiança no mercado de trabalho nos próximos seis meses, cresceu 2,9% e atingiu 127,5 pontos.
Já a perspectiva de consumo avançou 3,2%, chegando a 95,5 pontos — ainda abaixo da zona de satisfação, mas indicando melhora na percepção das famílias.
Consumo atual segue baixo
Quando o foco é o consumo no presente, os dados mostram um cenário mais frágil.
O indicador que mede o nível atual de consumo marcou apenas 47,9 pontos, um dos mais baixos da pesquisa. O levantamento aponta que 66,3% das famílias afirmam estar consumindo menos do que no mesmo período do ano passado.
Crédito caro limita compras
O acesso ao crédito também influencia o comportamento do consumidor.
O subindicador que mede acesso a empréstimos e compras a prazo registrou 86,3 pontos, com 33,9% das famílias relatando maior dificuldade para obter crédito.
Esse cenário se reflete principalmente nas compras de bens duráveis, como eletrodomésticos, móveis e veículos. Mesmo com alta de 5,4% no mês, o indicador ficou em 26,7 pontos, o menor entre todos os componentes da pesquisa.
Segundo o levantamento, 84,3% dos entrevistados afirmam que não é um bom momento para esse tipo de compra, o que reforça o comportamento mais cauteloso das famílias.
O desempenho do índice acompanha o cenário econômico recente. Em 2025, a economia brasileira cresceu 2,3%, enquanto o consumo das famílias avançou apenas 1,3%, refletindo o impacto dos juros elevados, inflação ainda presente no orçamento e recuperação gradual da renda.
Diante desse cenário, o resultado de fevereiro indica mais estabilidade da confiança do consumidor do que uma retomada forte do consumo em São Luís.
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