Nova plataforma amplia transparência sobre violência de gênero
O Ministério das Mulheres lançou, nesta quinta-feira (7), o Painel de Dados do Ligue 180, plataforma que organiza as denúncias recebidas pela Central de Atendimento à Mulher. A ferramenta visa ampliar o alcance das políticas públicas no enfrentamento à violência de gênero, considerando que, de janeiro a julho deste ano, o canal registrou 594.118 atendimentos, dos quais 86.025 foram relatos de agressões.
A maioria dos contatos ocorreu por telefone (84,2%), seguida por e-mail (13,5%), WhatsApp (2,3%) e videochamada em Libras (menos de 1%). As denúncias indicam que a violência física é a mais comum (41,4%), seguida pela psicológica (27,9%) e sexual (3,6%). Em 40,7% dos casos, a agressão aconteceu dentro da residência da vítima.
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, ressaltou a importância da transparência e do uso de dados para orientar ações de combate à violência. “Compreender melhor o fenômeno é essencial para criar estratégias eficazes que mudem essa realidade”, afirmou. Segundo ela, o painel atende uma determinação do presidente Lula para que os dados públicos sejam divulgados de forma aberta, fortalecendo a responsabilização do Estado.
O painel também revela o perfil das vítimas e agressores. Entre as mulheres atendidas, 57,7% se declararam heterossexuais e 44,3% negras. Quanto aos agressores, 49,2% são heterossexuais e 41,4% se identificam como negros. Em quase metade dos casos (47,6%), o agressor é parceiro ou ex-parceiro da vítima; outros suspeitos incluem vizinhos (5,3%) e pessoas com outros tipos de vínculo (11,5%).
Outro dado preocupante é o tempo que as mulheres convivem com a violência antes de denunciar: 21,7% relatam episódios que já duram mais de um ano; 9% convivem com a agressão há mais de cinco anos, e 8,6% há mais de uma década. Para o ministério, esses números reforçam a necessidade de ampliar o acesso à rede de apoio e implementar ações preventivas mais eficazes.
Nos últimos meses, a Central passou por uma reestruturação para melhorar o atendimento, com investimentos em tecnologia, ampliação dos canais de contato e capacitação das equipes, com atenção especial a mulheres indígenas, negras, com deficiência e LGBTQIA+. Atualmente, o serviço conta com 288 atendentes especializadas, num total de 332 profissionais.
Além disso, o ministério firmou 11 acordos de cooperação técnica com estados e o Conselho Nacional do Ministério Público para otimizar o fluxo de atendimento. Desde 2024, o Ligue 180 funciona de forma independente da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos.
O Painel de Dados do Ligue 180 é público e permite que qualquer pessoa filtre informações por unidade da Federação, tipo de violência, perfil da vítima, relação com o agressor e período dos casos. A expectativa é que jornalistas, pesquisadores, gestores públicos e organizações da sociedade civil usem a ferramenta. O lançamento coincide com os 19 anos da Lei Maria da Penha e a campanha Agosto Lilás, que promove a conscientização sobre a violência contra a mulher.
Em casos de suspeita ou violação dos direitos das mulheres, a recomendação é procurar uma delegacia especializada ou ligar para a Central de Atendimento pelo número 180, disponível também no WhatsApp (61) 99610-0180, ou acionar o telefone 190.
💬 Comentários (0)