Mercado reage mal a oferta da Azul

Mercado reage mal a oferta da Azul

As ações da Azul seguem em forte queda na B3 nos primeiros pregões de 2026, ampliando as perdas registradas no início do ano. Após uma desvalorização expressiva no dia anterior, os papéis da companhia aérea voltaram a recuar nesta quinta-feira, dia 8, refletindo a reação negativa do mercado à homologação de uma oferta de ações bilionária.

O movimento ocorre em meio à incerteza dos investidores após a confirmação de uma oferta no valor de R$ 7,4 bilhões. A decisão foi oficializada na noite de terça-feira, dia 6, quando a Azul, que está em processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, homologou a emissão de aproximadamente 723,8 bilhões de novas ações ordinárias e o mesmo volume de ações preferenciais.

A operação caracteriza uma oferta pública de distribuição, mecanismo utilizado para colocar ações no mercado e captar recursos junto aos investidores. Na prática, a iniciativa busca viabilizar a capitalização compulsória das dívidas da empresa por meio da conversão de títulos emitidos no exterior em participação acionária.

Esse tipo de operação costuma provocar preocupação entre acionistas antigos, já que a emissão de novos papéis reduz a participação proporcional de quem já detém ações da companhia. Esse efeito, conhecido como diluição, diminui tanto o poder de voto quanto a fatia nos lucros, mesmo que o patrimônio total da empresa possa aumentar.

Em dezembro, a Azul informou que a Justiça norte-americana aprovou o plano de recuperação judicial apresentado no âmbito do Chapter 11, mecanismo semelhante à recuperação judicial brasileira. Segundo a empresa, mais de 90% dos credores habilitados aprovaram a proposta em todas as classes.

Com o aval judicial, a companhia avança no processo iniciado em maio do ano passado, quando recorreu à Justiça dos Estados Unidos para reorganizar suas obrigações financeiras, tornando-se a última grande aérea brasileira a adotar esse instrumento. A reestruturação prevê uma redução superior a 3 bilhões de dólares em dívidas, além de cortes relevantes em compromissos ligados a arrendamentos de aeronaves, despesas com juros e custos recorrentes da frota.

A Azul também informou que o plano aprovado inclui renegociação de contratos de leasing e novos acordos comerciais, medidas que, segundo a avaliação da própria empresa, aumentam a flexibilidade financeira e criam bases para um crescimento considerado sustentável no longo prazo. A expectativa da companhia é concluir o processo de recuperação judicial já no início deste ano.

Adriana Nogueira

Adriana Nogueira

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