Governo estuda ministério exclusivo para segurança
A saída de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça recolocou no centro das discussões, nos bastidores de Brasília, a possibilidade de reestruturação da política nacional de segurança pública. Com a mudança no comando da pasta, voltou a ganhar força a proposta de divisão do ministério e a criação de uma estrutura exclusiva voltada ao setor.
Após o anúncio da saída, secretários estaduais de Segurança Pública divulgaram uma carta em que defendem o desmembramento da atual pasta, retomando um compromisso assumido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a campanha. Para o Conselho Nacional dos Secretários de Segurança Pública, o momento é considerado estratégico, tanto pela transição ministerial quanto pela necessidade de aprimorar a coordenação entre os entes federativos.
No documento, os gestores estaduais sustentam que a segurança pública deve ocupar papel central como fator de estabilidade institucional, baseada no diálogo e na articulação permanente entre União, estados, Distrito Federal e municípios. Eles também argumentam que o comando de uma eventual nova pasta deve ficar a cargo de alguém com experiência prática no setor, conhecimento da realidade local e capacidade de lidar com a complexidade das políticas públicas da área.
Entre os nomes mencionados como possíveis quadros qualificados está o do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que já havia sido citado anteriormente como opção para o Ministério da Justiça. Avaliações internas no Palácio do Planalto indicam que a saída de Lewandowski abriu caminho para acelerar a discussão sobre a criação do novo ministério, com a expectativa de que o presidente Lula avance com o projeto ainda em janeiro.
Paralelamente, o governo busca um perfil com maior presença política e capacidade de enfrentamento no debate público, em linha com o estilo adotado por Flávio Dino antes de assumir uma cadeira no Supremo Tribunal Federal. Embora Lewandowski tenha atribuído sua saída a razões pessoais e familiares, interlocutores do governo relatam que havia insatisfação com sua atuação mais técnica e discreta, considerada insuficiente diante da centralidade do tema da segurança no debate nacional.
A definição do novo comando também está relacionada à tramitação da Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública, apresentada no ano passado e vista como principal marca da gestão Lewandowski. A matéria enfrenta resistência de governadores alinhados à direita, e o Planalto trabalha para viabilizar sua aprovação ainda no primeiro semestre. Nesse cenário, cresce a avaliação de que um ex-governador poderia facilitar o diálogo com os estados.
Entre as possibilidades ventiladas nos bastidores está o nome do ministro da Educação, Camilo Santana, que governou o Ceará. Também circula a hipótese de Ricardo Capelli assumir a eventual chefia de um futuro Ministério da Segurança Pública, caso a reestruturação avance.
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