Brasil volta a brilhar nas indicações ao Oscar
O filme O agente secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, conquistou quatro indicações ao Oscar 2026, igualando o recorde histórico de Cidade de Deus entre as produções brasileiras mais lembradas pela Academia. A obra disputa as estatuetas de melhor filme, melhor filme internacional, melhor direção de elenco e melhor ator, com Wagner Moura.
Com a indicação, Wagner Moura entra para a história como o primeiro brasileiro a concorrer ao Oscar de melhor ator. Antes dele, apenas atrizes brasileiras haviam alcançado esse feito: Fernanda Montenegro, indicada em 1999 por Central do Brasil, e Fernanda Torres, que disputou a estatueta no ano passado por Ainda estou aqui. No início deste mês, Moura já havia sido reconhecido internacionalmente ao vencer o Globo de Ouro de melhor ator em filme de drama.
A presença brasileira na premiação se estende a outras categorias técnicas. Adolpho Veloso concorre ao prêmio de melhor fotografia pelo filme Sonhos de trem, enquanto Affonso Gonçalves foi indicado pela montagem de Hamnet — A vida antes de Hamlet. Já os documentários Apocalipse nos trópicos e Yanuni não avançaram para a lista final de indicados.
Os nomes que disputarão as estatuetas foram anunciados nesta quinta-feira (22) pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. A cerimônia da 98ª edição do Oscar está marcada para o dia 15 de março e terá novamente o comediante Conan O’Brien como apresentador, repetindo o papel desempenhado em 2025.
O desempenho de O agente secreto reforça a recente ascensão do cinema brasileiro na principal premiação do audiovisual mundial. No ano passado, Ainda estou aqui garantiu ao Brasil sua primeira vitória no Oscar, ao vencer na categoria de melhor filme internacional. Antes disso, o maior destaque havia sido Cidade de Deus, que em 2004 recebeu quatro indicações inéditas para o país, incluindo direção, roteiro adaptado, montagem e fotografia.
Ambientado em 1977, O agente secreto acompanha a trajetória de Marcelo, um professor que deixa São Paulo após receber ameaças e segue para o Recife na tentativa de reencontrar o filho. Ao longo da narrativa, a capital pernambucana se transforma em um espaço marcado pela vigilância constante e pelo clima de medo imposto pela ditadura militar.
Com atmosfera tensa, o longa transforma o carnaval e a paisagem urbana em elementos centrais da narrativa, criando um jogo permanente de perseguição e desconfiança. O resultado é um filme que combina drama familiar e suspense político, explorando as tensões do período histórico com intensidade emocional e forte apelo cinematográfico.
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