Monitoramento de secretário amplia crise política em Pernambuco
A suspeita de espionagem envolvendo a Polícia Civil de Pernambuco e um secretário da Prefeitura do Recife adicionou um novo capítulo à disputa política entre o prefeito João Campos (PSB) e a governadora Raquel Lyra (PSD), que devem se enfrentar nas eleições deste ano.
O secretário municipal de Articulação Política e Social, Gustavo Queiroz Monteiro, teria sido monitorado por policiais civis entre agosto e outubro de 2025. Durante o período, agentes acompanharam o veículo utilizado por ele e por seu irmão, Eduardo, trocaram mensagens internas sobre a movimentação e, em setembro, instalaram um rastreador no carro sem autorização judicial.
O secretário de Defesa Social de Pernambuco, Alessandro Carvalho, confirmou que houve monitoramento após o recebimento de uma denúncia anônima apontando a possibilidade de pagamento de propina em contratos firmados pela Prefeitura do Recife com fornecedores. Segundo ele, por se tratar de uma denúncia sem identificação, foi realizada apenas uma checagem preliminar.
De acordo com a Secretaria de Defesa Social, não foram encontrados indícios de entrega de valores ou pacotes, o que teria levado ao arquivamento do procedimento. Carvalho afirmou ainda que, naquele contexto, não seria necessária ordem judicial para a instalação do equipamento de rastreamento.
O prefeito João Campos reagiu e classificou o episódio como perseguição política, afirmando que adotará medidas judiciais. Ele declarou que disputas eleitorais não justificam o uso de instituições públicas e disse ser alvo de investigações com motivação política desde 2024.
João Campos também citou uma apuração envolvendo creches municipais que teria sido reaberta durante o período eleitoral e novamente arquivada após sua reeleição.
A governadora Raquel Lyra saiu em defesa da atuação da Polícia Civil, afirmando que a investigação ocorreu dentro da legalidade e que a denúncia recebida era grave. Segundo ela, o combate à corrupção deve ser permanente e ninguém pode estar acima da lei.
Em publicações nas redes sociais, a governadora destacou ações de sua gestão e afirmou que o governo utiliza sua autoridade para entregar resultados e governar o estado.
O caso ocorre em meio a desgastes enfrentados pelos dois gestores. No início de janeiro, João Campos foi alvo de um pedido de impeachment na Câmara Municipal do Recife, acusado de interferir de forma irregular no resultado de um concurso público para o cargo de procurador do município.
Além disso, o PSB, partido presidido por Campos, mantém desde 2023 em seus quadros um ex-secretário do governo estadual investigado pelo Ministério Público Federal por corrupção passiva e alvo de operação da Polícia Federal.
Raquel Lyra também enfrentou desgaste político após vir à tona que a empresa de ônibus de sua família, a Logo Caruaruense, operou por cerca de três anos sem fiscalização adequada da Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal, órgão vinculado ao governo estadual. O episódio também motivou um pedido de impeachment contra a governadora.
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