Nordeste assume liderança em mortes no trânsito
Pela primeira vez, o Nordeste liderou o número de mortes no trânsito no Brasil. Em 2024, a região registrou 11.894 óbitos, superando o Sudeste, que teve 10.995 mortes, apesar de concentrar a maior frota de veículos do país.
Os dados fazem parte de um estudo da organização Vital Strategies com base em informações do Ministério da Saúde. No total, 37.150 pessoas morreram em acidentes de trânsito no Brasil em 2024, um aumento de 6,5% em relação ao ano anterior e o maior número desde 2016.
Especialistas apontam preocupação ao comparar a frota regional. Enquanto o Sudeste tinha cerca de 59 milhões de veículos em circulação no fim de 2024, o Nordeste contava com pouco mais de 22 milhões. Ainda assim, a taxa de mortalidade na região foi significativamente maior.
Em termos proporcionais, o Centro-Oeste segue com a maior taxa de mortes no trânsito, seguido por Norte e Nordeste. O Sudeste apresentou o menor índice do país.
O aumento no Nordeste está fortemente ligado aos acidentes com motocicletas. Mais da metade das vítimas da região estava em motos, número bem superior ao registrado no Sudeste. Especialistas atribuem esse cenário à combinação de crescimento acelerado do uso de motocicletas, infraestrutura viária precária e fiscalização insuficiente.
Problemas nas rodovias e também nas vias urbanas e rurais agravam o quadro, com destaque para o transporte irregular de passageiros em motocicletas. Seis das rodovias classificadas como em péssimo estado no país estão no Nordeste.
O governo federal afirma adotar uma estratégia preventiva para reduzir a violência no trânsito, com ações que envolvem educação, fiscalização e melhoria da infraestrutura. Entre as iniciativas citadas estão programas para ampliar o acesso à habilitação e incentivar o bom comportamento de motoristas.
Especialistas defendem medidas adicionais, como investimentos no transporte público, reforço da fiscalização de velocidade, uso de capacete e políticas nacionais mais integradas de segurança viária. O objetivo é conter o avanço da letalidade no trânsito, especialmente entre motociclistas, grupo mais vulnerável nas estatísticas recentes.
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