Anvisa autoriza semaglutida para risco cardiovascular
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou a ampliação do uso da semaglutida para a redução do risco de infarto e acidente vascular cerebral. A indicação vale para adultos que já tenham doença cardiovascular estabelecida, além de pessoas com obesidade ou sobrepeso.
Com a decisão, o princípio ativo presente nos medicamentos Wegovy e Ozempic, da farmacêutica Novo Nordisk, passa a ter recomendação oficial também para a prevenção de eventos cardiovasculares graves. Inicialmente desenvolvidos para o tratamento do diabetes e posteriormente popularizados pelo uso no controle da obesidade, os remédios agora podem ser prescritos com foco na diminuição desses riscos.
Especialistas avaliam que a medida pode ter impacto positivo no número de infartos ao longo dos anos, embora o custo elevado ainda seja um obstáculo para grande parte da população. A expectativa é de que o fim da patente do Ozempic, previsto para março, contribua para ampliar o acesso ao tratamento, apesar das disputas em curso no Congresso Nacional envolvendo interesses do setor farmacêutico.
Estudos apresentados à Anvisa pela fabricante indicaram que o uso da semaglutida, associado a uma dieta com restrição calórica e à prática regular de atividade física, reduziu de forma significativa a ocorrência de infartos e AVCs. A agência, no entanto, não detalhou os dados completos que embasaram a decisão.
A ampliação da indicação pode ajudar a enfrentar os elevados índices dessas doenças no Brasil, responsáveis por cerca de 400 mil mortes anuais. Além disso, a Anvisa também autorizou o uso do Ozempic no tratamento de pacientes com diabetes tipo 2 que apresentem doença renal crônica, condições frequentemente associadas.
Dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia mostram que quase um terço dos pacientes em diálise no país é diabético. O diabetes é a principal causa de insuficiência renal crônica no mundo, já que o excesso de glicose no sangue compromete progressivamente os vasos sanguíneos dos rins. Segundo a agência reguladora, o estudo apresentado pelo fabricante apontou que, quando combinado ao tratamento padrão, o medicamento contribuiu para reduzir a progressão da doença renal e as mortes relacionadas a complicações cardiovasculares.
💬 Comentários (0)