Vacina contra HPV tem proteção duradoura

Vacina contra HPV tem proteção duradoura

Um estudo realizado na Escócia reforça a eficácia e durabilidade da vacina contra o HPV. A pesquisa acompanhou mais de 270 mil mulheres por até 12 anos após a imunização, constatando redução significativa das lesões cervicais de alto grau e alterações pré-cancerígenas associadas ao risco de desenvolvimento do câncer de colo do útero.

Os maiores benefícios foram observados em mulheres vacinadas na adolescência, especialmente entre 12 e 13 anos, período em que houve queda expressiva na incidência das lesões NIC 2 e NIC 3, que concentram a maioria dos casos com potencial de progressão para o câncer quando não tratados.

No Brasil, o câncer de colo do útero é o terceiro tipo mais comum entre mulheres, com estimativa de 17.010 novos casos por ano no triênio 2023–2025, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). A vacinação contra o HPV, somada ao rastreamento, se consolida como a principal estratégia de prevenção, já que o vírus é a causa principal das lesões que precedem a doença.

A proteção da vacina se manteve durante todo o período estudado, alcançando até 12 anos após a imunização, segundo a ginecologista Renata Bonaccorso Lamego, do Hospital Israelita Albert Einstein. Na Escócia, o esquema aplicado foi de três doses, enquanto no Brasil, desde 2024, o Ministério da Saúde recomenda uma dose para meninas e meninos de 9 a 14 anos, estratégia para ampliar a cobertura vacinal.

Quanto mais precoce a vacinação, maior a proteção. Mulheres imunizadas após os 18 anos não apresentaram redução significativa das lesões, devido à resposta imunológica mais eficiente em adolescentes e à maior probabilidade de contato prévio com o vírus em idades mais avançadas. Mesmo assim, a vacina pode ajudar a reduzir a recorrência das lesões em mulheres mais velhas que já tiveram infecção.

O Ministério da Saúde promove campanhas de resgate para adolescentes de 15 a 19 anos que não receberam a vacina, com objetivo de alcançar cerca de 7 milhões de jovens. Atualmente, a cobertura vacinal no Brasil é de 84,94% entre meninas e 73,25% entre meninos de 9 a 14 anos, com meta de ampliar esses índices para garantir o efeito rebanho.

Especialistas reforçam que a imunização não substitui os exames de rastreamento. Em agosto, o Ministério da Saúde começou a incorporar o teste molecular de HPV como exame principal no SUS, substituindo gradualmente o papanicolau. O método oferece maior sensibilidade, permite intervalos maiores entre exames quando negativo e reduz procedimentos desnecessários.

Adriana Nogueira

Adriana Nogueira

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