MPF processa Globo por pronúncia de “recorde”

MPF processa Globo por pronúncia de “recorde”

Uma ação apresentada pelo Ministério Público Federal em Minas Gerais colocou a TV Globo no centro de uma discussão sobre a pronúncia da palavra “recorde”. O autor do processo, o procurador Cléber Eustáquio Neves, pede indenização de R$ 10 milhões sob o argumento de que jornalistas da emissora estariam enfatizando de forma inadequada a primeira sílaba do termo.

Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, na coluna de Gabriel Vaquer, o procurador sustenta que apresentadores e repórteres têm repetido a pronúncia com tonicidade inicial, transformando a palavra em proparoxítona, quando o correto, de acordo com a norma-padrão, seria a forma paroxítona, com a sílaba tônica na penúltima posição. Na petição, ele afirma que a palavra deve ser pronunciada como reCORde, sem acento gráfico, e anexou trechos de programas jornalísticos e esportivos para exemplificar o que considera erro recorrente.

Pela regra ortográfica da língua portuguesa, todas as palavras proparoxítonas são acentuadas. Isso significa que, se a sílaba mais forte estiver na antepenúltima posição, o acento gráfico é obrigatório, como ocorre em termos como lâmpada, médico, rápido e lógica. O procurador argumenta que, por exercer papel relevante na formação cultural e informativa do público, a emissora deveria observar rigorosamente a norma culta.

Além da indenização, a ação solicita que a Globo faça uma retratação pública sobre a pronúncia da palavra em seus telejornais e programas esportivos, com pedido de decisão liminar para que a medida seja adotada rapidamente. O Ministério Público Federal confirmou o protocolo da ação, mas não detalhou o conteúdo. A emissora informou que não comenta processos judiciais em andamento.

O processo também inclui pedido de compensação por suposta lesão ao patrimônio cultural imaterial da língua portuguesa, argumento que ainda será analisado pela Justiça.

Adriana Nogueira

Adriana Nogueira

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