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Canetas emagrecedoras ampliam alerta para acompanhamento

Canetas emagrecedoras ampliam alerta para acompanhamento

Popularização reforça a importância de exames de imagem para prevenir e identificar complicações precocemente

São Paulo, abril de 2026 – O avanço do uso das chamadas canetas emagrecedoras, baseadas em agonistas de GLP-1, tem ampliado o debate sobre segurança, indicação adequada e acompanhamento dos pacientes. Para o Dr. Harley De Nicola, médico radiologista e superintendente da Fundação Instituto de Pesquisa e Estudo de Diagnóstico por Imagem (FIDI), já é observado um impacto na medicina diagnóstica, sobretudo em situações específicas, como dor abdominal, suspeita de pancreatite e investigação de cálculos na vesícula.

Isso acontece porque esses medicamentos atuam principalmente sobre órgãos do trato gastrointestinal, como fígado, pâncreas e vesícula biliar. Entre seus efeitos, está o retardo do esvaziamento gástrico, o que pode causar sintomas digestivos e, em alguns casos, estar associado a complicações mais relevantes. Além disso, a perda rápida de peso favorece o surgimento de cálculos biliares, o que exige atenção para sinais clínicos que podem demandar investigação complementar.

Essas medicações podem ser seguras e eficazes quando bem indicadas, mas não devem ser encaradas como uma solução mágica. O acompanhamento médico é indispensável para monitorar efeitos gastrointestinais, alterações metabólicas e sinais de complicações mais graves, como pancreatite. Nesse contexto, a medicina diagnóstica tem papel importante ao apoiar a investigação de sintomas e contribuir para decisões mais rápidas e seguras ao longo do tratamento”, afirma Dr. Harley De Nicola.

Com a popularização dessas medicações, os serviços de saúde já começam a perceber um novo perfil de paciente, mais atento à monitorização metabólica e, eventualmente, à necessidade de exames direcionados para avaliação do fígado, pâncreas e outras estruturas abdominais. Com isso, exames se consolidam como aliados, a medicina diagnóstica se consolida como aliada importante para apoiar decisões clínicas, diferenciar efeitos esperados de sinais de alerta e garantir mais segurança ao cuidado.

Início e acompanhamento

Entre os efeitos adversos mais comuns estão náuseas, vômitos, diarreia e constipação. Em alguns casos, também podem surgir hipoglicemia, desidratação e perda de massa muscular, especialmente quando há redução importante da ingestão alimentar. Já entre as complicações mais graves, a pancreatite aguda se destaca como uma das principais preocupações, reforçando a necessidade de avaliação clínica cuidadosa e monitoramento contínuo.

Antes de iniciar o tratamento, a recomendação é que o paciente passe por avaliação médica completa, incluindo exame físico, histórico clínico e exames laboratoriais básicos, como glicemia, função hepática, função renal e colesterol. Os exames de imagem podem ser indicados em suspeita de cálculos biliares. Ao longo do uso, o acompanhamento costuma ser individualizado, com consultas periódicas e monitoramento clínico e laboratorial conforme a evolução de cada paciente.

Para o Dr. Harley De Nicola, o diagnóstico precoce é essencial para evitar a progressão de complicações. A identificação rápida de sinais de intolerância gastrointestinal pode impedir quadros de desidratação, enquanto o reconhecimento precoce de uma pancreatite, por exemplo, pode reduzir o risco de evolução para formas mais graves e até de internação.

Outro ponto de atenção é que o emagrecimento acelerado pode mascarar ou retardar o diagnóstico de outras doenças. Sintomas como dor abdominal podem ser atribuídos apenas ao uso do medicamento, quando, na verdade, podem indicar condições mais sérias. Até mesmo a perda de peso, frequentemente esperada durante o tratamento, pode coincidir com distúrbios hormonais ou outras doenças, o que reforça a importância do acompanhamento médico contínuo.

Além disso, nem todos os pacientes são elegíveis para esse tipo de terapia. Histórico de pancreatite, doenças gastrointestinais mais graves, gastroparesia, alterações na tireoide, risco de câncer de tireoide, além de gestação e amamentação, estão entre os fatores que exigem avaliação criteriosa antes da prescrição”, completa Dr. Harley.

Saiba mais sobre os riscos de usar canetas emagrecedoras sem diagnóstico e sem acompanhamento médico.

Riscos e efeitos colaterais

Por mais que o emagrecimento seja o objetivo mais visível, os efeitos desses medicamentos não se restringem à redução do peso. Também pode haver melhora no controle glicêmico e no colesterol, reduzindo também a probabilidade de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e mortalidade cardiovascular.

Contudo, como qualquer outro medicamento, não são isentos de riscos. Os efeitos colaterais mais comuns incluem náusea, vômito, diarreia e constipação intestinal. Em geral, esses sintomas tendem a diminuir ao longo do tratamento, especialmente quando a dose é ajustada de forma gradual.

Outro ponto de atenção é a perda de massa magra. Quando o emagrecimento ocorre de forma muito rápida ou sem uma alimentação balanceada e prática de atividade física, a perda muscular pode ser maior. Também há risco de formação de cálculos na vesícula biliar.

E a pancreatite?

A inflamação do pâncreas, condição conhecida como pancreatite, é um efeito colateral raro previsto na bula dos medicamentos agonistas de GLP-1. Há evidências, inclusive, de que a perda de peso e a melhora do índice glicêmico proporcionados pelas medicações contribuam com a neuroproteção do pâncreas em algumas populações.

Contudo, com a popularização dessas medicações, aumentaram as notificações de casos, o que tem alertado autoridades de saúde no Brasil e em outros países. O risco é maior entre pacientes com diabetes e obesidade. Em um estudo de coorte, a incidência de pancreatite aguda em indivíduos com obesidade foi observada em 0,3% .

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Sobre a FIDI

Fundada em 1986 por médicos professores integrantes do Departamento de Diagnóstico por Imagem da Escola Paulista de Medicina – atual Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) –, a FIDI é uma Fundação privada sem fins lucrativos que reinveste 100% de seus recursos em assistência médica à população brasileira, por meio do desenvolvimento de soluções de diagnóstico por imagem, realização de atividades de ensino, pesquisa e extensão médico-científica, ações sociais e filantrópicas. Com mais de 2.100 colaboradores e um corpo técnico formado por mais de 500 médicos parceiros, a FIDI está presente em 100 unidades de saúde nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Goiás. É a maior empresa especializada em diagnóstico por imagem do Brasil. Em 2025, foram 4,8 milhões de exames realizados – um crescimento de 11% em relação a 2024, entre ressonância magnética, tomografia computadorizada, ultrassonografia, mamografia, raios-X e densitometria óssea. Com soluções customizadas em diagnóstico por imagem, a FIDI oferece serviços de Telerradiologia, Gestão Completa, Consultoria, Educação Médica e Inteligência Artificial.

A Fundação também trabalha na proposição de soluções inovadoras para a saúde pública, como sistema de análise de imagens de tomografia computadorizada por inteligência artificial e participou da primeira Parceria Público-Privada de diagnóstico por imagem na Bahia. Por duas vezes, a FIDI recebeu o prêmio Referências da Saúde 2019 e 2020, na categoria Qualidade Assistencial, e por três vezes foi medalhista em desafios internacionais de aplicação de inteligência artificial no diagnóstico por imagem, propostos na conferência anual da Sociedade Norte-Americana de Radiologia, considerado o maior congresso do setor no mundo. Ao final de 2020, a Central de Laudos da FIDI obteve a certificação ISO 9001:2015 de Gestão da Qualidade e em 2023 renovou a certificação, pela International Organization for Standardization e, em 2021, recebeu o selo de “Excelente Empresa Para se Trabalhar” (GPTW).

Desde 2014 a FIDI atua no projeto da carreta-móvel ‘Mulheres de Peito’, parceria com o Estado de São Paulo, que oferece exames gratuitos de mamografia. Já são mais de 300 municípios atingidos, cerca de 300 mil mamografias, 7 mil ultrassons, 700 biópsias, e mais de 3 mil mulheres encaminhadas.

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