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Exposição de Marcone Moreira chega a São Luís com obras inspiradas na Amazônia

Exposição de Marcone Moreira chega a São Luís com obras inspiradas na Amazônia
Crédito: Divulgação

O CHÃO SLZ, em São Luís, recebe, de 7 de outubro a 7 de novembro de 2026, a exposição “O mundo em trânsito de Marcone Moreira”, com curadoria do poeta e professor Eucanaã Ferraz.

A abertura será realizada no dia 7 de outubro, às 18h30, com a presença do artista. A programação inclui a visita à exposição e uma conversa entre Marcone Moreira e Dinho Araújo, que abordará os processos criativos, materiais e referências presentes na produção do artista.

Amazônia como ponto de partida

Radicado no Pará, Marcone Moreira constrói sua trajetória a partir da paisagem de Marabá (PA), cidade localizada entre os rios Tocantins e Itacaiúnas. Sua produção reúne referências da paisagem amazônica, do cotidiano popular e das transformações sociais e culturais da região.

Segundo o curador Eucanaã Ferraz, a exposição parte da ideia de um “mundo em trânsito”, em que materiais, linguagens e diferentes tempos se encontram em constante transformação.

A mostra também estabelece uma relação entre paisagem e ruína, entendidas como manifestações de processos de transformação e sobrevivência.

Obras utilizam materiais do cotidiano amazônico

A exposição reúne trabalhos de diferentes períodos da carreira de Marcone Moreira e apresenta sua pesquisa sobre materiais, paisagem, memória e deslocamento.

Entre as obras estão trabalhos das séries “Cruzamentos”, produzidos com madeiras e parafusos retirados de carrocerias de caminhões, fazendo referência aos deslocamentos entre rios e estradas.

Nas séries “Páginas” e “Rotas”, o artista utiliza madeiras desgastadas de embarcações para criar composições cromáticas que aproximam o construtivismo brasileiro do imaginário popular amazônico.

Já as pinturas de “Travessias” apresentam figuras solitárias em embarcações, associadas a temas como trabalho, magia, história e mito.

Entre as instalações está “Vertebral”, escultura formada por hélices fundidas em alumínio e organizadas em movimentos sinuosos que remetem à sucuri, símbolo associado à floresta e à força da natureza.

Também integra a exposição a instalação “Exaustos”, composta por porretes e cepos de madeira utilizados na quebra do babaçu e da castanha-do-pará.

Amazônia como metáfora do Brasil

A exposição propõe uma leitura da Amazônia como representação do Brasil contemporâneo, destacando aspectos como diversidade, fragmentação, transformações e ancestralidade.

A partir das obras, o público é convidado a refletir sobre as relações entre paisagem e identidade, matéria e memória, em uma produção que utiliza elementos do cotidiano para construir novos sentidos.

Sobre Marcone Moreira

Marcone Moreira iniciou suas experimentações artísticas no final dos anos 1990 e, desde então, participou de exposições no Brasil e no exterior.

Sua produção inclui pintura, escultura, vídeo, fotografia e instalação, com pesquisas voltadas principalmente à memória e ao deslocamento simbólico de materiais do cotidiano.

Entre suas exposições individuais estão “Território líquido” (Instituto Tomie Ohtake, 2015), “Marcone Moreira” (Paço Imperial, 2016), “Linhas de Força” (Palácio das Artes, 2017), “Exaustos” (Casa das Onze Janelas, 2018), “Conjunção” (Gomide, 2020), “Fraturas” (Portas Vilaseca Galeria, 2024) e “Entre Ruínas: o mundo em trânsito” (CAIXA Cultural São Paulo, 2025).

O artista também participou de exposições coletivas como o Panorama da Arte Brasileira (MAM-SP, 2003), Os Trópicos (Berlim, 2008), From the Margin to the Edge (Londres, 2012), VAIVÉM (CCBB, 2019) e a 6ª Bienal de Montevidéu (2025).

Sobre o curador

Eucanaã Ferraz, nascido no Rio de Janeiro, em 1961, é poeta, professor de Literatura Brasileira na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e consultor de Literatura do Instituto Moreira Salles desde 2010.

Como curador, já assinou exposições de artistas como Fayga Ostrower, Raul Mourão, Vicente de Mello, José Bechara e Chichico Alkmim.

A exposição “O mundo em trânsito de Marcone Moreira” é realizada com fomento da Fundação Nacional de Artes (Funarte), entidade vinculada ao Ministério da Cultura do Governo Federal.

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