O Maranhão registrou a terceira maior taxa de internações de crianças e adolescentes de 0 a 14 anos por acidentes no Brasil em 2025. Foram 102 hospitalizações a cada 100 mil habitantes, segundo levantamento do Projeto Criança Segura, da Aldeias Infantis SOS, com base em dados do Ministério da Saúde (DataSUS).
O índice ficou atrás apenas do Pará (120) e do Tocantins (113) e foi superior à média nacional, de 63 internações por 100 mil habitantes. Ao todo, o Maranhão registrou 6.886 hospitalizações por acidentes entre crianças e adolescentes nessa faixa etária.
Queimaduras lideram internações
As queimaduras foram a principal causa de internação entre crianças e adolescentes no Maranhão. Em 2025, foram registrados 3.833 casos, o equivalente a 55,7% de todas as hospitalizações por lesões não intencionais no estado.
O percentual foi o maior registrado entre os estados brasileiros.
Do total de internações por queimaduras, 3.722 casos (97,1%) foram classificados como exposição a outros fatores ambientais artificiais e não especificados. Segundo o levantamento, isso indica que a origem ou o agente causador da queimadura não foi identificado de forma precisa nos registros médicos.
Para o pesquisador da Aldeias Infantis SOS, José Carlos Sturza de Moraes, a falta dessas informações dificulta a elaboração de ações específicas de prevenção.
Acidentes de trânsito também preocupam
Os acidentes de trânsito provocaram 369 internações de crianças e adolescentes no Maranhão em 2025. As motocicletas estiveram envolvidas em 139 casos, correspondendo a 37,7% das internações relacionadas ao trânsito nessa faixa etária.
O Maranhão também apresentou o maior número de registros do país na categoria “acidente de transporte não especificado”, com 705 hospitalizações. Nesses casos, não foi possível determinar com precisão como o acidente aconteceu.
O pesquisador José Carlos Sturza de Moraes defende a ampliação da proteção de crianças transportadas em motocicletas e bicicletas, além do reforço de ações educativas.
Sufocação foi principal causa de morte
O levantamento também analisou as mortes de crianças e adolescentes de até 14 anos no Brasil em 2024.
Nas oito categorias de acidentes avaliadas, foram registradas 3.341 mortes. As principais causas foram:
- Sufocação: 1.039 mortes (31,1%);
- Acidentes de trânsito: 922 mortes (27,6%);
- Afogamentos: 850 mortes (25,4%).
Juntas, essas três causas representaram 84,1% dos óbitos registrados no levantamento.
As crianças de 1 a 4 anos concentraram o maior número de mortes, com 1.095 casos (32,8%), seguidas pelos menores de 1 ano, com 930 óbitos (27,8%).
Entre as mortes por sufocação, 75% das vítimas eram bebês. Já os afogamentos tiveram maior concentração entre crianças de 1 a 4 anos.
Segundo a Aldeias Infantis SOS, os dados reforçam a necessidade de ações de prevenção, campanhas de conscientização e melhoria dos registros sobre acidentes.
No Maranhão, a organização atua nos municípios de Arari e Vitória do Mearim, com ações voltadas ao fortalecimento familiar e ao desenvolvimento comunitário.






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