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MP denuncia empresária e PM por tortura e tentativa de homicídio contra gestante no MA

MP denuncia empresária e PM por tortura e tentativa de homicídio contra gestante no MA
Crédito: Reprodução

O Ministério Público do Maranhão (MP-MA) denunciou a empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos e o policial militar Michael Bruno Lopes Santos pelos crimes de tentativa de homicídio qualificado, tortura majorada e tentativa de aborto contra a ex-empregada doméstica Samara Regina, de 19 anos, que estava grávida de cinco meses quando foi agredida.

A denúncia foi assinada em 29 de junho de 2026 e distribuída à Justiça no dia 30 de junho. O processo tramita na Comarca de Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís. O MP-MA também solicitou que os dois denunciados sejam submetidos a Júri Popular e que seja mantida a prisão preventiva de ambos.

Carolina Sthela foi presa no Piauí, enquanto tentava fugir para outro estado, e permanece custodiada no Complexo Penitenciário de Pedrinhas. Já Michael Bruno também segue preso.

Segundo a promotora de Justiça Nahyma Ribeiro Abas, a investigação reuniu provas testemunhais e periciais suficientes para indicar a autoria e a materialidade dos crimes.

“O Ministério Público entendeu que havia indícios suficientes de autoria e materialidade em relação aos denunciados, por conta desse grave crime praticado contra a Samara”, afirmou a promotora.

Vítima teria sido torturada após falsa acusação de furto

De acordo com a denúncia, Samara Regina foi submetida a uma sessão de tortura física e psicológica após ser falsamente acusada de furtar um anel avaliado em R$ 5 mil.

O Ministério Público sustenta que os denunciados agiram com intenção de matar a jovem e assumiram o risco de provocar a interrupção da gestação, já que a vítima sofreu diversas agressões, inclusive na região do abdômen.

A promotora destacou que a gravidez da vítima era visível e de conhecimento dos acusados, circunstância que agravou sua vulnerabilidade.

“A vítima foi realmente submetida a uma situação degradante, que atentou contra a dignidade humana”, ressaltou.

Crimes atribuídos aos denunciados

Na denúncia, o MP-MA acusa Carolina Sthela e Michael Bruno dos seguintes crimes:

  • Tentativa de homicídio qualificado, por suposto planejamento prévio e uso de recursos que dificultaram a defesa da vítima;
  • Tortura majorada, em razão do intenso sofrimento físico e psicológico imposto para forçar uma confissão de furto, sendo a pena agravada porque Samara estava grávida;
  • Tentativa de aborto, sob o entendimento de que os acusados assumiram o risco de provocar a morte do feto Arthur Azariel durante as agressões.

Empresária é apontada como mentora do crime

O Ministério Público afirma que Carolina Sthela Ferreira dos Anjos foi a mentora intelectual e também agressora direta no caso.

Segundo a denúncia, áudios periciados indicariam que a empresária afirmou que a vítima “não era nem para ter saído viva“, elemento utilizado pelo MP para sustentar a acusação de tentativa de homicídio.

O órgão também cita que Carolina possui condenação anterior por calúnia contra uma babá, em circunstâncias consideradas semelhantes, apontando um suposto padrão de comportamento abusivo contra trabalhadoras domésticas.

PM é acusado de usar arma para intimidar gestante

O policial militar Michael Bruno Lopes Santos foi denunciado por coautoria.

Conforme o Ministério Público, ele teria utilizado sua condição de policial e uma arma de fogo para intimidar a vítima. A denúncia relata que o PM teria dado coronhadas em Samara e introduzido o cano da arma em sua boca, além de imobilizá-la enquanto a empresária realizava as agressões.

Justiça decidirá sobre recebimento da denúncia

Agora, caberá ao Poder Judiciário decidir se recebe ou não a denúncia apresentada pelo Ministério Público.

Caso seja aceita, será iniciada a fase de instrução processual, com produção de provas e depoimentos. Ao final dessa etapa, a Justiça decidirá se os denunciados serão pronunciados e levados a julgamento pelo Tribunal do Júri.

A promotora Nahyma Ribeiro Abas reforçou que, neste momento, não há condenação, mas apenas o oferecimento formal da denúncia, que ainda será analisada pelo Judiciário.

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