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Setor industrial debate planejamento energético para expansão produtiva

Indústria

SÃO LUÍS – Representantes da indústria discutiram, na quinta-feira, 9, a ampliação do diálogo entre setor produtivo, concessionária de energia elétrica e poder público sobre o planejamento energético do Maranhão durante reunião conjunta do Conselho Temático de Micro e Pequenas Empresas (COMPEM), da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA), e do Conselho de Consumidores de Energia da Equatorial Energia.

O encontro tratou de temas considerados estratégicos para o ambiente de negócios, como geração distribuída, expansão da mobilidade elétrica, mudanças na conta de energia e a ampliação do acesso ao mercado livre, além da necessidade de infraestrutura para novos empreendimentos industriais.

O presidente do COMPEM, Celso Gonçalo, também vice-presidente executivo da FIEMA e presidente do Conselho Deliberativo do SEBRAE, afirmou que o diálogo institucional com a distribuidora é importante para reduzir entraves enfrentados principalmente por micro e pequenas empresas. “Precisamos dessa parceria e desse entrosamento para resolver as pendências”, disse. Segundo ele, a previsibilidade no fornecimento e na expansão da rede elétrica contribui para a atração de investimentos produtivos no estado.

Participantes da reunião destacaram a importância do planejamento energético integrado para acompanhar o crescimento industrial, especialmente em áreas com potencial de expansão, como a Zona de Processamento de Exportação de Bacabeira, novos distritos industriais e polos agroindustriais no interior. Segundo os empresários, a ampliação da infraestrutura elétrica é fator relevante para garantir competitividade e viabilizar novos empreendimentos.

MOBILIDADE ELÉTRICA E ENERGIA SOLAR  Outro ponto discutido foi o avanço da geração distribuída e da mobilidade elétrica. O engenheiro Luis Ernani Santos Pereira alertou para a necessidade de critérios técnicos na instalação de carregadores de veículos elétricos. “Não é só chegar e puxar do medidor. Precisa de estudo de carga, circuito exclusivo e critérios técnicos. Sem isso, aumenta o risco para todo o sistema”, afirmou.

O executivo da distribuidora Rafael Melo disse que a geração distribuída já representa cerca de 25% do segmento analisado e deve continuar crescendo. “As normas existem e estão cada vez mais atualizadas, mas muitas instalações ainda não seguem os critérios técnicos necessários”, disse. Ele citou especificamente a norma técnica NT-0042, atualizada em dezembro de 2025, como referência para instalações em unidades com múltiplas ligações e pontos de recarga.

Dentro da agenda de soluções para redução de custos energéticos, também foi apresentada uma proposta baseada em sistemas de armazenamento por baterias voltados ao consumo no horário de ponta. Claudio Martins, da empresa de energia Ecori, explicou que a tecnologia permite substituir o consumo no período mais caro por energia previamente armazenada fora do horário de pico, reduzindo impactos tarifários especialmente para indústrias atendidas em alta tensão (Grupo A). Segundo ele, o modelo pode ser contratado no formato de serviço, sem investimento inicial por parte das empresas, com estudos de viabilidade técnica individualizados e possibilidade de economia já nos primeiros meses de operação.

Durante a reunião, a distribuidora também apresentou mudanças na identificação das unidades consumidoras na conta de energia, com padronização nacional do número de contrato. Segundo Rafael Melo, a medida deve facilitar processos operacionais e preparar consumidores para a ampliação do acesso ao mercado livre.

“Diversos clientes já estão migrando para esse ambiente. A padronização ajuda a simplificar esse processo e ampliar o acesso às novas modalidades de contratação”, afirmou. Hoje, a migração ainda está concentrada em consumidores de maior demanda, mas a expectativa é de avanço gradual entre empresas de menor porte.

O presidente do Conselho de Consumidores de Energia no Maranhão, Marlon Aguiar, disse que o colegiado pretende ampliar a participação institucional nas discussões do setor. “Poucas pessoas conhecem o papel dos conselhos de consumidores. Fortalecer essa escuta é fundamental para equacionar problemas e ampliar o diálogo com a sociedade”, afirmou.

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