O Maranhão registrou um crescimento de 107% no número de testamentos, saltando de 2.143 registros em 2024 para 4.437 em 2025, segundo dados dos Cartórios de Notas. O avanço marca um recorde histórico e acompanha uma tendência nacional, que também atingiu o maior patamar já registrado, com 38.740 testamentos formalizados no Brasil em 2025.
O aumento reflete uma mudança no comportamento das famílias, que passaram a investir no planejamento sucessório como forma de evitar conflitos e garantir segurança jurídica na divisão de bens.
Um exemplo dessa realidade é o da aposentada Josefa Lauande Cunha Machado, que decidiu organizar a partilha do patrimônio ainda em vida. Na época, a iniciativa foi vista com resistência pelas filhas, que consideraram o assunto desnecessário. Mesmo assim, ela formalizou o testamento.
Anos depois, após a morte da mãe, a família descobriu que tudo estava devidamente organizado. A existência do documento evitou conflitos e facilitou o processo de partilha, trazendo alívio em meio ao luto.
“Quando vimos tudo organizado, entendemos que ela só queria evitar problemas para a gente. Foi um alívio enorme”, relatou a enfermeira Diana Cunha, filha de Josefa.
Segundo a professora de Direito da Estácio e especialista em Direito de Família, Ana Alice Torres, o crescimento acompanha uma tendência nacional. “Há uma busca cada vez maior pelo planejamento sucessório, garantindo que a vontade do titular seja respeitada”, afirma.
Sem testamento, a divisão de bens segue regras previstas no Código Civil, o que nem sempre corresponde às expectativas familiares. Com o documento, há mais clareza, segurança e definição de responsabilidades, reduzindo a possibilidade de conflitos.
Além dos fatores práticos, especialistas apontam que questões emocionais também influenciam na decisão. A professora de Psicologia da Unifacimp Wyden, Priscila Correia, destaca que momentos de incerteza, ansiedade e mudanças familiares têm impulsionado esse comportamento.
“O testamento está ligado à busca por tranquilidade e proteção. Ele reduz incertezas e evita ressentimentos em um momento delicado”, explica.
Outro fator decisivo para o crescimento é a facilidade de acesso. Atualmente, além do modelo tradicional em cartório, o testamento pode ser feito de forma digital, por meio da plataforma e-Notariado. A modernização dos serviços ampliou o acesso e contribuiu para o aumento dos registros.
Apesar do avanço, o tema ainda enfrenta resistência. Falar sobre a morte segue sendo um tabu para muitas pessoas. No entanto, especialistas defendem que essa reflexão pode ser positiva. “Pensar sobre a morte ajuda a valorizar o presente e reduz o medo, trazendo mais qualidade de vida”, conclui Priscila Correia.
*Com informações de Jherry Dell’Marh, da Cores Comunicação






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