Uma pesquisa desenvolvida por estudantes do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), em São Luís, criou um absorvente íntimo biodegradável produzido a partir de fibras naturais de sementes de juçara, fruto conhecido como açaí em outras regiões do Brasil. A iniciativa busca reaproveitar resíduos naturais para desenvolver uma alternativa de higiene menstrual com potencial de baixo custo e menor impacto ambiental.
O projeto foi desenvolvido pelas estudantes Sabrina Mendes e Haylana Lima, alunas do curso técnico em Meio Ambiente e bolsistas de iniciação científica do Ensino Médio. A pesquisa é orientada pela professora Laurinda Siqueira.
Nos testes realizados com uma solução que simula a viscosidade do sangue, o material apresentou capacidade de absorção equivalente a 3,57 vezes sua massa seca. O resultado foi superior aos índices encontrados na literatura para fibras naturais como algodão, cânhamo e linho.
Os experimentos também apontaram rápida desintegração em água sob agitação e redução de até 92% da massa do material após 90 dias, em temperatura ambiente, indicando seu potencial de biodegradação.
Pesquisa une inovação e sustentabilidade
O desenvolvimento do absorvente incluiu testes de absorção, inchamento, solubilidade em água, pH e degradação. A proposta é transformar resíduos da juçara em matéria-prima para um produto que possa reduzir os impactos ambientais causados pelos absorventes descartáveis convencionais.
A pesquisa está em andamento há cinco anos e marcou a primeira experiência científica das duas estudantes. Atualmente no terceiro ano do Ensino Médio, elas também são coautoras do pedido de patente do produto.
“Para mim isso representa uma conquista muito grande. É evidente que o estudo e a ciência nos levam a lugares que aparentemente estão distantes da nossa realidade”, afirma Sabrina Mendes.
Segundo as estudantes, a experiência também contribuiu para o desenvolvimento de habilidades laboratoriais, comunicação e escrita científica, além de ampliar a compreensão sobre questões ambientais e sociais.
Produto pode contribuir para combater a pobreza menstrual
Além da questão ambiental, o projeto apresenta potencial para ajudar no enfrentamento da pobreza menstrual, problema relacionado à falta de acesso a absorventes, infraestrutura adequada e informações sobre menstruação e saúde menstrual.
A produção do material a partir de resíduos de juçara também pode favorecer o desenvolvimento de futuras cadeias produtivas locais e valorizar recursos naturais da região.
“O que me motivou foi quando começamos os estudos bibliográficos e percebemos o quanto a pobreza menstrual é um problema no Brasil e no mundo. Foi muito gratificante fazer parte de uma pesquisa que busca ajudar tanto as mulheres quanto o meio ambiente”, comenta Haylana Lima.
A professora Laurinda Siqueira destaca que a pesquisa permite às estudantes desenvolver habilidades científicas, desde a elaboração de hipóteses até a realização de experimentos e a interpretação dos resultados.
“Mais do que isso, percebem que a ciência pode contribuir para responder a necessidades reais da população”, ressalta.
Pesquisa conquista prêmio e pedido de patente
O trabalho conquistou o terceiro lugar no Prêmio Fapema 2026, na categoria Pesquisador Júnior, e também resultou em um pedido de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
A próxima etapa prevê novos testes e experimentos para aprimorar o produto. A expectativa é avançar no desenvolvimento da tecnologia para que, futuramente, ela possa beneficiar um número maior de pessoas.






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