Uma falha no algoritmo de controle das aletas de direção provocou o desvio de rota do foguete Sebit, lançado pela empresa sul-coreana Innospace a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, em 19 de agosto. A investigação interna da companhia apontou que o problema desestabilizou o veículo logo após a decolagem.
O relatório preliminar foi entregue ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Segundo a análise, um erro no software provocou uma diferença entre o comportamento esperado pelos engenheiros e o desempenho real do foguete durante a aceleração.
Diante da anomalia, a Força Aérea Brasileira acionou o sistema de segurança e interrompeu o voo 35 segundos após o lançamento. Os destroços foram direcionados para uma área marítima isolada e não houve registro de danos.
O problema, porém, alterou o calendário da Innospace no Brasil. A empresa precisará realizar novos testes e aprimorar os algoritmos de controle antes de retomar as operações.

Lançamento é adiado para 2027
A principal mudança envolve o Hanbit-Nano, veículo desenvolvido para colocar pequenos satélites em órbita. O lançamento, inicialmente previsto para o fim deste ano, foi adiado para o primeiro semestre de 2027.
O foguete já havia enfrentado outro problema em dezembro de 2025, quando uma tentativa de lançamento também não foi concluída com sucesso.
Segundo Soojong Kim, fundador e CEO da Innospace, a empresa trabalha para tentar retomar o voo do Sebit em novembro e ajustar o lançamento do Hanbit-Nano para a primeira metade de 2027. O novo cronograma ainda está sendo discutido com as autoridades brasileiras.
Apesar da interrupção, a empresa destacou que o episódio também permitiu comprovar a eficiência do sistema de terminação de voo, utilizado pela Força Aérea Brasileira. A tecnologia interrompe o funcionamento do motor por meio do corte do suprimento de oxidante, sem a necessidade de explosivos tradicionais.
Desafios para Alcântara
O adiamento ocorre em um momento de expansão das atividades comerciais no Centro de Lançamento de Alcântara, que busca ampliar a participação de empresas privadas e atrair clientes internacionais.
A Innospace possui uma subsidiária no Brasil desde 2020 e firmou, em 2022, um acordo para utilização da base. A empresa pretende transformar o Maranhão em uma base permanente de operações e desenvolver uma cadeia local de logística e fornecimento.
O revés, no entanto, também evidencia os desafios de infraestrutura enfrentados pelo setor. Entre os problemas apontados estão a dependência de ferry boats para o transporte de equipamentos pesados, a falta de um porto adequado e as condições das estradas, além de dificuldades de comunicação em determinadas áreas.
Esse conjunto de fatores é tratado no setor como “custo Alcântara” e pode aumentar os gastos e a complexidade das operações. A necessidade de grandes investimentos em infraestrutura, que pode superar US$ 1 bilhão, também coloca desafios para a expansão comercial do centro de lançamento.
*Com informações de O Globo.






Comentarios
Participe desta conversaUltimos comentarios
Ainda nao ha comentarios aprovados para esta materia.