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Mais da metade das mortes por intervenção policial no Maranhão teve raça não informada

Mais da metade das mortes por intervenção policial no Maranhão teve raça não informada
Crédito: Reprodução/Internet

O Maranhão aparece como um dos estados com maior índice de omissão de informações sobre a raça das vítimas de letalidade policial no Brasil. É o que revela a sétima edição do relatório “Pele Alvo: entre racismo e letalidade, o amanhã”, divulgada nesta terça-feira (1º) pela Rede de Observatórios da Segurança.

O levantamento aponta que 54,9% das mortes provocadas por policiais no Maranhão em 2025 foram registradas com o campo raça/cor como “não informado”, percentual que, segundo os pesquisadores, compromete a transparência dos dados e dificulta a compreensão do impacto da violência estatal sobre a população negra.

De acordo com a Rede de Observatórios, a ausência dessas informações não representa apenas uma falha burocrática, mas uma omissão que contribui para invisibilizar o recorte racial da letalidade policial. O estudo destaca ainda que, quando o Maranhão passou a qualificar melhor a coleta de dados, a proporção de vítimas negras aumentou 22 pontos percentuais, evidenciando que a subnotificação mascara a dimensão do problema.

Maranhão registra maior número de mortes da série histórica

Além da deficiência nos registros, o estado também alcançou o maior número de mortes por intervenção policial desde o início da série histórica, com 142 pessoas mortas em 2025.

O total representa um crescimento de 86,8% em relação a 2024, quando foram registrados 76 casos. Em uma década, o avanço também chama atenção: em 2015, o Maranhão contabilizou 53 mortes provocadas por agentes de segurança.

Nos últimos sete anos, o estado acumulou 628 mortes decorrentes de ações policiais. Entre os casos em que houve identificação racial, 92,2% das vítimas eram negras, percentual superior à participação dessa população no estado, que corresponde a 79% dos habitantes.

Jovens concentram maioria das vítimas

O perfil das vítimas também evidencia um padrão recorrente. Segundo o relatório, 67,6% das pessoas mortas tinham até 29 anos de idade, reforçando que a juventude continua sendo o principal alvo da violência policial.

A pesquisa mostra ainda que 50,7% das mortes ocorreram em apenas 11 municípios maranhenses. No entanto, a violência também avança para o interior: dos 217 municípios do estado, 35 registraram ocorrências, muitos deles com menos de 15 mil habitantes.

Outro dado destacado é que 83,1% das mortes foram provocadas por ações da Polícia Militar.

Interiorização da violência

Os pesquisadores associam o aumento da letalidade policial no Maranhão à expansão de facções criminosas oriundas do Sudeste, como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), que passaram a disputar rotas estratégicas e estabelecer alianças com grupos locais.

Segundo o relatório, esse cenário tem levado governos estaduais a responderem principalmente com ações de confronto e militarização, o que contribui para o crescimento das mortes decorrentes de intervenções policiais.

Panorama nacional

Nos nove estados monitorados pela pesquisa — Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo — foram registradas 4.330 mortes por intervenção policial em 2025, aumento de 6,4% em relação ao ano anterior.

Considerando apenas os casos em que houve identificação de raça ou cor, 86,3% das vítimas eram negras. O levantamento também mostra que 64,8% dos mortos tinham até 29 anos e que 312 vítimas eram crianças e adolescentes de até 17 anos.

Para a diretora da Rede de Observatórios da Segurança, Silvia Ramos, os números demonstram um padrão que se repete ao longo dos anos.

“Os dados mostram que não estamos diante de uma fatalidade ou de casos isolados. Ano após ano, a principal vítima da letalidade policial continua sendo a juventude negra das periferias. Se esse padrão se repete há sete edições do Pele Alvo, totalizando 28.799 mortes, fica evidente que ainda não existe uma política pública efetiva voltada para proteger essas vidas”, afirma.

O relatório conclui que a transparência e a qualidade das informações produzidas pelos estados são fundamentais para compreender o perfil das vítimas e orientar políticas públicas capazes de enfrentar as desigualdades raciais presentes na segurança pública brasileira.

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