O programa habitacional Minha Casa, Minha Vida foi responsável por 64% das unidades residenciais lançadas no Nordeste no primeiro trimestre de 2026, consolidando a região entre as mais dependentes da política habitacional no país.
Os dados fazem parte do levantamento Indicadores Imobiliários Nacionais, divulgado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção em parceria com o Serviço Social da Indústria nesta segunda-feira (25).
Em todo o Brasil, o programa respondeu por 49% das vendas de imóveis, com 54.510 unidades comercializadas no período.
Segundo o levantamento, a região Norte lidera a participação proporcional do programa na oferta total de imóveis, com 52%, enquanto o Sul apresentou a menor participação, com 17%. Os dados foram coletados pela empresa Brain Inteligência Estratégica em 221 cidades brasileiras, incluindo todas as capitais e regiões metropolitanas.
Para o vice-presidente Financeiro da CBIC, Eduardo Aroeira Almeida, o programa segue sendo fundamental para reduzir o déficit habitacional no país.
“O Minha Casa, Minha Vida vem cumprindo o seu papel de tornar realidade o sonho da casa própria para milhões de brasileiros”, afirmou.
Lançamentos caem, mas vendas seguem estáveis
Entre janeiro e março de 2026, foram lançadas 97.802 unidades residenciais, número que representa uma queda de 4,9% em relação ao mesmo período de 2025.
Na comparação com o quarto trimestre do ano passado, a redução foi ainda maior: 32,1%.
Apesar da retração nacional, o Centro-Oeste apresentou o melhor desempenho do país, com crescimento de 38,3% nos lançamentos imobiliários.
De acordo com o conselheiro da CBIC e diretor de economia do SECOVI-SP, Celso Petrucci, a desaceleração já era esperada devido à sazonalidade do mercado imobiliário.
“Houve uma redução de 2,6%, o que consideramos praticamente uma estabilidade”, avaliou.
O levantamento aponta ainda que o número de unidades vendidas cresceu na maior parte do país. Apenas a região Sul registrou leve queda, de 0,05% nas vendas.
Nos últimos 12 meses, o Brasil contabilizou 438.012 imóveis vendidos, sendo que o Sudeste concentrou mais da metade das vendas, com 223.670 unidades.
VGV chega a R$ 65,9 bilhões
O estudo mostra que o Valor Geral de Vendas (VGV) cresceu 0,5% em relação a 2025, alcançando R$ 65,9 bilhões.
Já a oferta final de imóveis disponíveis aumentou 8,2%, totalizando 350.891 unidades.
Segundo a CBIC, caso não houvesse novos lançamentos, o estoque atual seria suficiente para menos de 10 meses.
Intenção de compra segue alta
A pesquisa também revelou que 49% dos entrevistados pretendem comprar um imóvel nos próximos dois anos.
As casas de rua lideram a preferência, com 47% das intenções, seguidas pelos apartamentos, com 35%.
Entre os principais motivos para a compra estão:
- Deixar de pagar aluguel (38%);
- Sair da casa dos pais (12%);
- Mudança de localidade (8%).
O vice-presidente de Habitação de Interesse Social da CBIC, Clausens Duarte, destacou que as mudanças recentes no Minha Casa, Minha Vida podem ampliar ainda mais o peso do programa no mercado.
Setor teme impacto de inflação, guerra e mudanças trabalhistas
A CBIC também demonstrou preocupação com fatores econômicos e políticos que podem afetar a construção civil nos próximos meses.
Entre os pontos citados estão:
- Alta no preço dos materiais de construção devido à crise do petróleo e às tensões no Estreito de Ormuz;
- Possível aprovação da PEC que reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais e prevê o fim da escala 6×1;
- Incertezas sobre a regulamentação da Reforma Tributária.
Segundo o vice-presidente da Indústria Imobiliária da CBIC e presidente executivo do SECOVI-SP, Ely Wertheim, os impactos podem comprometer contratos já firmados e elevar ainda mais os custos do setor.
“Os impactos da guerra têm aumentado o custo da construção civil em todas as etapas da obra”, afirmou.






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