Professora é condenada por injúria racial contra aluno no MA

Professora é condenada por injúria racial contra aluno no MA
Crédito: Divulgação

Uma professora foi condenada a três anos, 11 meses e 19 dias de prisão por injúria racial contra um estudante do Centro Educacional Aniceto Cantanhede, em Bequimão, no Maranhão. O caso ocorreu em 10 de abril de 2025, quando a docente chamou o aluno de “carvãozinho”.

A sentença foi proferida pela juíza Patrícia Carvalho Correia, titular da Vara Única de Bequimão. Além da pena de reclusão, a professora foi condenada ao pagamento de 32 dias-multa.

A magistrada determinou o cumprimento da pena em regime semiaberto e autorizou a condenada a recorrer em liberdade, considerando que ela permaneceu solta durante toda a instrução criminal.

Entenda o caso

Segundo a denúncia, a professora, que lecionava Geografia, teria se dirigido ao estudante com a expressão “Foguinho não, carvãozinho”, em referência ao apelido pelo qual ele era conhecido entre os colegas.

Ainda conforme a acusação, após ser questionada sobre a fala, a professora teria respondido, em tom de deboche, que o estudante “poderia fazer o que quisesse”.

Durante o processo, a acusada negou ter cometido injúria racial, mas reconheceu que chamou o aluno de “carvãozinho”. Ela alegou que utilizou o termo no sentido de combustível, em referência à agitação da turma.

A avó do estudante relatou que, após o episódio, o menino ficou triste e desanimado, abandonou a prática de esportes e passou a se mostrar mais fechado e desconfiado. Ela também informou ter comunicado o caso ao Conselho Tutelar e à Polícia.

Justiça reconheceu injúria racial

Na sentença, a juíza destacou que a configuração do crime de injúria racial não depende de premeditação, de um estado emocional específico ou da existência de inimizade anterior entre os envolvidos.

Segundo a magistrada, a expressão utilizada pela professora não pode ser considerada neutra, especialmente por ter sido dirigida a um adolescente negro de origem quilombola. Para ela, o termo foi empregado de forma depreciativa, em referência à cor da pele do estudante.

A juíza concluiu que a troca do apelido “Foguinho” por “Carvãozinho”, diante dos demais alunos, não representou uma simples comparação com combustível, mas uma forma de desqualificação racial relacionada às características físicas do estudante.

Veja também

Comentarios

Participe desta conversa

Ao comentar voce concorda com os Termos de Uso. Os comentarios sao de responsabilidade do autor e nao representam a opiniao do portal.

Ultimos comentarios

Ainda nao ha comentarios aprovados para esta materia.

Baixar app