Você chega ao hospital ou a uma consulta sem imaginar que precisará fazer exames. Depois da avaliação, vem a solicitação: sangue, urina ou outro procedimento laboratorial. A coleta é feita e, quando o resultado chega, algum valor aparece alterado. Só então surgem as perguntas: será que eu poderia ter comido antes? E o remédio que tomei pela manhã? A caminhada até o hospital interfere em alguma coisa?
Todos esses são detalhes importantes. Alimentação, atividade física, consumo de álcool, medicamentos e até vitaminas podem interferir em determinados exames, dependendo do teste realizado e das condições em que a coleta ocorreu. Por isso, além de seguir as orientações recebidas, é importante informar ao médico e ao laboratório situações que possam ajudar na interpretação dos resultados.
“Existem muitas coisas que podem alterar o resultado de um exame e, às vezes, não prestamos atenção. Vários procedimentos do nosso corpo e análises precisam ser feitos dentro de condições específicas para fornecer informações corretas”, explica o biomédico habilitado em Patologia Clínica e mestre em Ciências da Saúde Roberval Moraes, professor do IDOMED São Luís. Confira abaixo os cinco fatores mais comuns que podem alterar o resultado de um exame laboratorial.
1. Alimentação
Uma das dúvidas mais comuns antes de um exame é se é preciso ficar em jejum. E, apesar de ele não ser obrigatório para todas as coletas, é indicado em boa parte delas. “As análises precisam ser feitas dentro de um padrão específico para fornecer informações corretas. O jejum ajuda a padronizar essas condições. Quando nos alimentamos, podemos ter resultados diferentes, que podem mascarar uma doença ou até simular uma alteração que não existe”, explica Roberval.
2. Vitaminas e suplementos
Até algo aparentemente distante de um exame pode entrar nessa conta. Roberval cita o uso de vitamina C como exemplo de informação que deve ser comunicada ao laboratório antes de determinadas análises. “Existem muitas coisas que podem alterar um resultado e, às vezes, não prestamos atenção. A vitamina C, por exemplo, pode interferir em parâmetros do exame de urina. Por isso, é importante informar ao laboratório se fez uso de vitaminas ou de outros medicamentos”, orienta.
3. Atividade física
Ir caminhando, correndo ou pedalando até o laboratório também pode ser relevante, dependendo da intensidade do esforço e do exame solicitado. A atividade física provoca alterações fisiológicas e pode modificar temporariamente alguns marcadores encontrados no sangue.
“Se a pessoa foi de bicicleta ou fez uma caminhada intensa até o laboratório, houve um estresse muscular. Dependendo do exame, é importante descansar antes da coleta, porque alguns marcadores podem estar alterados pelo próprio esforço físico”, explica o professor.
Entre os parâmetros que podem sofrer influência da atividade física estão enzimas e proteínas relacionadas ao metabolismo e ao músculo. Por isso, informar a prática recente de exercício e respeitar o período de repouso indicado pelo laboratório ajuda na interpretação adequada dos resultados.
4. Álcool
O consumo de bebidas alcoólicas também pode interferir em diferentes exames laboratoriais. A depender da quantidade ingerida, do intervalo desde o consumo e do teste realizado, podem ocorrer alterações metabólicas capazes de modificar determinados parâmetros. “O álcool impacta vários processos do organismo e pode interferir nos resultados. É mais uma informação que precisa ser considerada antes da realização de determinados exames”, afirma Roberval.
5. Medicamentos
Remédios de uso contínuo, eventual ou recente também fazem parte das informações que devem ser comunicadas antes da coleta. Alguns medicamentos podem interferir diretamente em testes laboratoriais ou provocar alterações fisiológicas que aparecem nos resultados.
Mas atenção: isso não significa interromper um tratamento médico por conta própria. A suspensão de medicamentos deve ocorrer somente quando houver orientação médica específica. “Como existem muitos exames e procedimentos diferentes, vários detalhes podem fazer diferença. O ideal é se informar com o médico que prescreveu e também com o laboratório onde será realizado o procedimento”, orienta Roberval.
Orientação
A mesma lógica vale para vitaminas, suplementos, consumo de álcool, prática de exercícios e outras situações que possam ser relevantes. Antes da coleta, é preciso perguntar ao laboratório quais cuidados são necessários. Na hora do exame, é importante informar o que foi feito recentemente, as últimas refeições e, se possível, ter uma lista dos medicamentos e suplementos alimentares utilizados nos últimos dias.
E, quando o resultado chegar, a orientação permanece: valores fora da referência precisam ser interpretados pelo profissional de saúde em conjunto com sintomas, histórico e demais informações clínicas do paciente.
“O resultado de um exame não deve ser interpretado de forma isolada. Um valor alterado não significa, necessariamente, que o paciente tenha uma doença. O médico vai analisar aquele resultado junto com os sintomas, o histórico do paciente e as condições em que o exame foi realizado. Por isso, além de seguir corretamente as orientações para a coleta, é fundamental levar o resultado ao profissional que solicitou o exame para que ele faça essa interpretação”, orienta Roberval.






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