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Cresce número de mulheres eleitas para o Congresso Nacional

Cresce número de mulheres eleitas para o Congresso Nacional
Crédito: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

As mulheres terão a maior bancada da história no Congresso Nacional a partir de 2027. O resultado das Eleições 2026 ampliou a presença feminina tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal, embora as mulheres ainda sejam minoria nas duas Casas.

Na Câmara dos Deputados, foram eleitas 109 mulheres, contra 90 na legislatura atual. O aumento representa crescimento de 21,1%. As novas parlamentares tomarão posse em 1º de fevereiro de 2027.

O crescimento ocorreu mesmo com a redução no número de candidatas. Em 2022, 3.317 mulheres disputaram uma vaga de deputada federal. Em 2026, foram 2.820 candidatas, uma queda de aproximadamente 15% em relação à eleição anterior.

No Senado Federal, 12 mulheres foram eleitas entre as 54 vagas que estavam em disputa, o maior número registrado em uma única eleição desde a redemocratização. Em 2018, quando também houve renovação de dois terços da Casa, oito mulheres foram eleitas.

Com o resultado, o número de senadoras passará das atuais 15 para 18, que representarão 22,2% das 81 cadeiras do Senado a partir de 2027. Os mandatos das eleitas terão duração de oito anos, até 2035.

Mulheres ainda são minoria no Congresso

Apesar do avanço, a representação feminina ainda está distante da igualdade entre homens e mulheres no Legislativo.

Na Câmara, as 109 deputadas representarão cerca de 21% das 513 cadeiras, enquanto os homens ocuparão 404 vagas.

A federação formada por PT, PCdoB e PV elegeu 34 mulheres, concentrando a maior parcela da bancada feminina, segundo levantamento da Câmara dos Deputados.

No Senado, as 18 mulheres representarão 22,2% da Casa. O Distrito Federal terá, pela primeira vez, uma bancada formada exclusivamente por mulheres, com três senadoras a partir de 2027.

O Piauí permanece como o único estado brasileiro que nunca elegeu uma mulher para o Senado.

Mais mulheres eleitas não significa, necessariamente, avanço em pautas femininas

O aumento da presença feminina no Congresso não significa, necessariamente, que todas as parlamentares atuarão em defesa das mesmas pautas relacionadas às mulheres.

A avaliação é da professora de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), Flávia Biroli. Segundo ela, o crescimento da representação feminina também amplia a diversidade de posições políticas entre as próprias mulheres eleitas.

Biroli cita como exemplo a senadora Bia Kicis, que, segundo a professora, votou contra a legislação relacionada à igualdade salarial entre mulheres e homens.

Número de mulheres negras aumenta na Câmara

A presença de mulheres negras também cresceu na Câmara dos Deputados.

Levantamento da organização Mulheres Negras Decidem aponta que pelo menos 15 mulheres negras foram eleitas deputadas federais em 2026, contra nove em 2022. O crescimento foi de 66,6%.

Para a coordenadora política da organização, Tainah Pereira, o resultado também representa uma renovação geracional, já que muitas das mulheres negras eleitas são jovens.

No Senado, porém, nenhuma das 12 mulheres eleitas em 2026 é negra.

A senadora Eliziane Gama (PT-MA), que é autodeclarada negra, não conseguiu a reeleição. Outras candidatas negras que disputaram vagas no Senado também não foram eleitas, entre elas Marina Silva (Rede-SP) e Benedita da Silva (PT-RJ).

Benedita foi a primeira mulher negra eleita para o Senado, em 1998. Ao longo da história, apenas quatro mulheres negras chegaram a ocupar uma cadeira na Casa.

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