Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) estima que entre 12.137 e 12.354 gestações de meninas de 10 a 13 anos ocorreram no Maranhão entre 2012 e 2022. A pesquisa aponta que esses casos, pela legislação brasileira, são considerados estupro de vulnerável e revela um cenário de subnotificação, além de riscos elevados para a saúde das vítimas.
O levantamento analisou dados dos principais sistemas de informação em saúde do país e identificou que apenas 1.410 casos de estupro foram oficialmente notificados no período. Isso representa uma cobertura de aproximadamente 11,5% quando comparada ao número estimado de gestações, indicando que boa parte dos casos pode não ter sido registrada pelos órgãos competentes.
Segundo os pesquisadores, o estudo reforça que toda gravidez em meninas menores de 14 anos é considerada decorrente de estupro de vulnerável, conforme estabelece a legislação brasileira.
Além da subnotificação, a pesquisa aponta que meninas de 10 a 13 anos apresentaram risco significativamente maior de complicações durante a gestação em comparação com mulheres de 20 a 29 anos.
Principais dados do estudo
- 12.137 a 12.354 gestações estimadas de meninas entre 10 e 13 anos no Maranhão, entre 2012 e 2022;
- 4.839 gestações oficialmente registradas no período;
- Apenas 1.410 notificações de estupro de vulnerável;
- Cobertura de notificação de aproximadamente 11,5% das gestações estimadas;
- Gestações nessa faixa etária apresentaram até 4 vezes mais riscos de desfechos negativos do que em mulheres de 20 a 29 anos;
- A razão de mortalidade materna foi 4,3 vezes maior entre meninas de 10 a 13 anos;
- A taxa de prematuridade foi de 18,5%, contra 9,9% entre mulheres de 20 a 29 anos;
- O percentual de baixo peso ao nascer foi de 14,2%, mais que o dobro do registrado entre mulheres adultas (6,6%);
- Menos de 1% das gestações nessa faixa etária resultaram em aborto legal, mesmo nos casos previstos pela legislação.
O estudo também identificou diferenças entre as regiões maranhenses. A Unidade Regional de Saúde de Barra do Corda apresentou a maior taxa de fecundidade entre meninas de 10 a 13 anos, enquanto a Região Metropolitana registrou a menor. A cobertura das notificações de violência sexual também variou entre as regiões, indicando desigualdades no acesso aos serviços de saúde e proteção.
Na conclusão, os autores defendem o fortalecimento das políticas públicas de proteção à infância, da rede de atendimento às vítimas de violência sexual e dos mecanismos de notificação. Para os pesquisadores, a gravidez em meninas menores de 14 anos deve ser tratada como uma grave violação de direitos e um importante problema de saúde pública.






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