O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (7), após reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, em Washington, que os dois governos devem apresentar, em até 30 dias, uma proposta para solucionar o impasse envolvendo tarifas de exportação e a investigação comercial aberta pelos norte-americanos contra o Brasil.
Segundo Lula, equipes do Ministério da Indústria e Comércio do Brasil e do Departamento de Comércio dos EUA irão trabalhar conjuntamente para construir um acordo.
“Quem estiver errado vai ceder. Se a gente tiver que ceder, nós vamos ceder”, declarou o presidente brasileiro a jornalistas na Embaixada do Brasil em Washington.
EUA investigam Brasil por suposta concorrência desleal
A investigação norte-americana foi aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, mecanismo usado para apurar supostas práticas comerciais consideradas desleais.
Os Estados Unidos citam temas como:
- Pix
- tarifas sobre etanol
- desmatamento ilegal
- proteção de propriedade intelectual
O governo brasileiro, porém, contesta a legitimidade do instrumento e argumenta que a medida é incompatível com as regras da Organização Mundial do Comércio.
Lula afirmou ainda que o tema do Pix não foi tratado diretamente durante a conversa com Trump.
Reunião entre Lula e Trump durou mais de 3 horas
O encontro ocorreu na Casa Branca e durou mais de três horas, incluindo almoço oficial oferecido por Trump.
Em publicação nas redes sociais, o presidente norte-americano classificou Lula como “um presidente muito dinâmico” e afirmou que a reunião foi “muito produtiva”.
Segundo Lula, o Brasil está disposto a discutir qualquer tema com os Estados Unidos, mas ressaltou que o país não abrirá mão de sua soberania e democracia.
“A única coisa que não abrimos mão é da nossa democracia e da nossa soberania”, afirmou.
Brasil e EUA vão ampliar combate ao crime organizado
Durante a coletiva, Lula anunciou que o governo brasileiro lançará, na próxima semana, um novo plano de combate ao crime organizado.
Segundo ele, Brasil e Estados Unidos irão cooperar para combater financeiramente organizações criminosas transnacionais.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou que haverá operações conjuntas entre a Receita Federal brasileira e autoridades norte-americanas para bloquear:
- contrabando de armas
- tráfico internacional de drogas sintéticas
- entrada de produtos ilícitos
Lula afirmou ainda que não discutiu especificamente facções brasileiras como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Terras raras entram na pauta estratégica entre os países
Outro tema debatido foi a exploração de minerais críticos e terras raras, considerados essenciais para a produção de equipamentos de alta tecnologia.
Lula destacou a aprovação da lei que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE).
O Brasil possui cerca de 21 milhões de toneladas de reservas de terras raras, a segunda maior do mundo, atrás apenas da China.
O presidente afirmou que o país pretende agregar valor à produção mineral e evitar atuar apenas como exportador de matéria-prima.
“Com as terras raras, a gente vai mudar de comportamento”, declarou.
Lula cobra revisão de restrições de vistos
O presidente brasileiro também afirmou ter entregue a Trump uma lista de autoridades brasileiras e familiares que ainda enfrentam restrições de vistos norte-americanos.
Segundo Lula, entre os atingidos estão ministros do Supremo Tribunal Federal e familiares de integrantes do governo brasileiro.
As restrições teriam sido aplicadas em meio às tensões relacionadas ao julgamento da tentativa de golpe de Estado no Brasil.
Relação comercial entre Brasil e EUA vive tensão desde 2025
As relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos enfrentam uma escalada de tensões desde 2025, após a retomada de medidas protecionistas pelo governo Trump.
Entre os principais pontos de conflito estão:
- tarifas de 25% sobre aço e alumínio brasileiros
- sobretaxas adicionais sobre produtos brasileiros
- críticas norte-americanas ao Judiciário brasileiro
- disputa comercial levada à OMC pelo Brasil
Apesar disso, os EUA reduziram parcialmente algumas tarifas no fim de 2025, substituindo parte das medidas por uma tarifa global temporária de cerca de 10%. Setores como aço e alumínio, porém, continuam com taxas elevadas.
A comitiva brasileira retorna a Brasília ainda nesta noite, com chegada prevista para sexta-feira (8).






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